Fascinante tem sido a leitura do mais recente livro do cientista e pensador Fritjof Capra sobre a o obra e forma de pensar de Leonardo da Vinci, talvez o melhor representante da nova ordem que estava sucedendo às crenças e visão de mundo da Idade Média. Leonardo ousou e deste modo percebeu e observou o mundo ao seu redor de forma distinta ao que era inclusive permitido perceber ou distinguir. Cem anos antes de Galileu e Decartes, estabeleceu uma nova forma de adquirir e desenvolver conhecimento sobre o mundo, uma forma empírica, que hoje é a base do método científico. Apenas, ao contrário de Newton e outros, não confundiu os movimetnos mecânicos necessários ao movimento dos organismos, com um mecanismo, como se a natureza fosse uma máquina. Ele descreveu em suas mais de 13.000 páginas de anotações, como a natureza se assemelhava a um organismo e como os elementos mecânicos faziam parte dele com um papel muito claro e determinado. No Renascimento, conforme mostra a obra de Leonardo, convicções e crenças até então tidas como verdadeiras e suficientes foram postas à prova. A crise atual está colocando em cheque nossas convicções e desenterrando antigas visões, já não mais suficientes, como possíveis soluções. Como Leonardo, precisamos re-pensar, re-criar, inventar mesmo, um modo de vida que re-incorpore a dimensão humana e tudo aquilo que dá sustentação a ela. Leonardo divisou um método empírico que permitiu a ele observar o mundo de forma distinta ao que se via até então. Precisamos desta mesma independência e ousadia agora para construir um mundo novo. De outra forma estaremos remendando o irremendável, no máximo recriando algo que nunca atendeu aos anseios da maioria.
*Marcos Schlemm
domingo, 15 de março de 2009
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