domingo, 29 de novembro de 2009

Einstein não seria Einstein

Não deixa de ser curiosa nossa obsessão por procedimentos e formalidades. Einstein fosse vivo e almejasse seguir carreira de pesquisador ou professor universitário seria desqualificado sumariamente. Não teria 15 artigos científicos (sic) a publicar todos os anos fazendo-os constar da Plataforma Lattes. Seria excomungado da academia e aconselhado a tentar outra atividade na vida. E a humanidade deixaria de compreender melhor como tudo é como é e porque, pois Einstein estaria pilotando um inadequado automóvel servindo de taxista no Rio de Janeiro ao invés de cuidar da relatividade e a teoria que a explica. Pobre Einstein. Não teria lugar em nossas universidades que, de tão qualificadas, não tem registro de pensamento autonomo ou de contribuição significativa no simpósio permanente de idéias que se constitui no sistema de produção de conhecimento científico séculos afora. Mas estas mesmas universidades co-certificam o documento fornecido pelas instituições equivalentes de além mar àqueles brasileiros que lá ousaram se graduar em mestrados e doutorados. As de lá abrigam vários Premios Nobel nas diferentes áreas do conhecimento humano. São as coisas dos nossos tristes trópicos, valendo-me de designação dada a nosso rincão pátrio por um dos fundadores da USP, o frances Claude Lévi-Strauss falecido recentemente em Paris. Conta-se que foi durante os idos tempos em que viveu conosco que Lévi-Strauss desenvolveu seu pendor de antropólogo observando os selvícolas nativos em nossas matas e florestas. Como e quando teremos nosso Einstein ou um Nobel em ilusionismo político e casuísmo executivo? Temos talento para esta prática. E a teorização de como e porque se faz o que se faz? Bem, quem sabe no próximo mandato.
*Marcos Schlemm

Um comentário:

kike henriquespassos@gmail.com disse...

querido marcos,
é... tá brava a coisa. a academia me parece mais parte da crise do que solução da mesma. o lado esquerdo do cérebro parece mais perigoso que o direito: nem sempre, mas com as melhores intensões da razão, chegamos aqui neste planeta de limiares homeostáticos tão rompidos (e muitos irreversivelmente). Foram ordens da razão. O lado louco da poesia, se quer pretende dar ordens... Einstein era um locão, tinha clareza do caráter intuitivo da criação. Sem falar que os cientistas são chatos e fazem pouco amor.
Ressalvo somente minha desconfiança quanto aos "Nobeis". Obama premio da paz?!?!?
e, por favor, não espere mandatos, vai ser outro chato racionalista.
grande abraço kike