Nunca me entusiasmei muito com enredos que buscam nos confins do desconhecido espaço pistas para a compreensão do humano em nós. A ficção científica produziu coisas interessantes e levantou hipóteses plausíveis sobre o origem de tudo o mais. O avanço científico não pode ser delimitado por crenças e convicções toscas sobre o como e o porque de tudo. Para o meu comsumo pessoal, entretando, a cada novo dia ou recomeço, me espanto ainda como muitos passageiros e tripulantes desta nossa nave espacial Terra ainda vivem alheios às constatações sobre nosso modo de operar o cotidiano, às pequenas evoluções do pensar e agir humanos. O verdadeiro significado do que seja o humano em nós. Para mim, o espaço mais instigante neste estágio da existência, é o espaço que costumamos chamar "mental." Aqui entra Kubrick - Uma Odisséia no Espaço - , como êle, também acho perda de tempo tentar decifrar seres estrangeiros a este planeta, quando mal conseguimos decifrar o que move nossa "inteligência" . Se alguns avançaram nesta tentativa, a grande maioria parece contentar-se com o que a novela das 20 horas tem a nos contar. Fiquei gratamente surpreso e enternecido com alguns dos comentários sobre minha reflexão anterior, postados e outros encaminhados diretamente a meu email . Grato por todos. O que me chamou a atenção é a diversidade de perspectivas e leituras que um mesmo texto pode gerar. Como decifrar a mente humana é uma tarefa que está longe de ser concluída. Nossos entendimentos, sentimentos e observações por mais próximos que possamos estar ou ser, desencontram-se na tradução. É o Lost in Translation com a Scarlett Johansson. Interpretamos conforme nossos enredos, referências, percepções e interesses momentaneos. Os sentimentos e experiêcias vividas. Percebo o olhar de Humberto Maturana sobre o observar e o observador. Tudo o que é observado é observado por alguém. Tudo o que é dito é dito por alguém. E este alguém pode ser você mesmo.
*Marcos Schlemm
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